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Diana

[ARTIGO]: 500 mil cópias em um dia, briga com Simon Cowell e gravações na Suécia - os bastidores de ''...Baby One More Time".

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DUN DUN DUN. “Oh baby, baby ... ”. Em apenas três segundos ...Baby One More Time, que completa 20 anos neste ano [artigo de 2018], anunciava a chegada de uma nova superestreal: a então menina de dezesseis anos, ex-clube do Mickey de Kentwood, Louisiana, Britney Jean Spears. Ao lado de seu igualmente icônico videoclipe gravado em uma escola ela revolucionou o pop, abrindo portas para um novo som (pense em algo funky misturado com o groove do R&B e as melodias do ABBA), varrendo o som grunge (desculpa, Bush) e o amor dos EUA pelo rock (tchauzinho, Hootie & Blowfish) para debaixo do tapete, revitalizando as rádios pop e a MTV no processo, antes de cementar o compositor e co-produtor Max Martin como um dos expoentes mais influenciadores do cenário musical. Em um curto espaço de três minutos e trinta e um segundos, Spears lançou o pop teen millennial, fundindo o estigma de queridinha das famílias, a vizinha divertida e aquela boa controvérsia, criando um molde para aquelas que viriam depois dela.

Sem ela, nao existiria Christina Aguilera, nem Katy Perry, nem Charli XCX; Taylor Swift ainda estaria cantando músicas country e Eminem - que chegou em 1999 - não teria muita competição. Lançada durante o impacto causado após o álbum extremamente bem sucedido de Alanis Morissette, Jagged Little Pill (1995) e sua grande lista de imitadores, '...Baby' apresentava um ângulo diferente para a ideia prevalencente de drama feminino; era o drama adolescente em sua potência máxima, definidos por um verso - "Minha solidão está me matando" - isso soa extremamente depressivo. "A música inteira é sobre aquela fase estressante que passamos na adolêscencia," Spears me diz. "Eu sabia que era uma música ótima. Era diferente e eu amava, (mas) não acho que você consegue imaginar como uma música será recebida."

Com uma história que podia muito bem fazer parte do filme "De Caso com o Acaso" que podia ter mudado o mundo que conhecemos, ...Baby One More Time quase não foi feita, já que a melodia da música surgiu na cabeça de Martin quando ele já estava caindo no sono. Pulando da cama e indo até o seu gravador, ele fez um rascunho da música. "Me lembro de ouvir a fita depois que a música estourou e você conseguia me ouvir dizendo: 'Hit me baby one more time', aí eu falo: 'É, isso tá muito bom'. Conhecido por ter vergonha de dar entrevistas, Martin revelou esse fato ao jornalista sueco Jan Gradvall em 2016. Martin, convicto que tinha escrito uma música R&B ("música pop com um sabor diferente - chamamos isso de R&B aqui na suécia, mas aí na América vocês já dizem que é pop," ele disse em 1998). Max enviou a música, ainda chamada de Hit Me Baby (One More Time) para o grupo TLC, que rejeitou. "Eu pensei assim: 'Adoro a música mas é mesmo um hit? Tem a cara do TLC?'... Eu ia mesmo falar 'Hit me baby one more time'? Uma merda que eu ia!" disse T-Boz, uma das integrantes, em 2013.

Enquanto o TLC interpretou a letra como uma alusão à violência doméstica, elas na verdade representavam Martin tentando usar uma gíria americana, pensando que 'hit me' poderia substituir facilmente 'me ligue'. A música foi então oferecida para sua colega sueca Robyn, com quem Martin já havia trabalhado em dois hits top 10 no US, ''Do You Know (What It Takes)" e "Show Me Love", ambos lançados em 1997, mas não deu em nada. De acordo com o livro de Tim Bower, lançado em 2012 ('Doce Vingança: A vida íntima de Simon Cowell'), a música poderia ter caído nas mãos de outro ato pop além de Britney. A história começa quando Cowell, após ouvir a demo da música que agora havia sido renomeada para '...Baby One More Time', exigiu que a música fosse para o seu último grupo do UK, os Five. Martin havia co-escrito o single de estreia do grupo, chamado 'Slam Dunk (Da Funk)', ao lado de seu mentor, o já falecido Denniz Pop, mas rejeitou o pedido de Cowell, dizendo que a música já estava reservada para Spears. ''Você está maluco. Ninguém vai fazer sucesso com um nome desses", Cowell supostamente disse. Em uma última tentativa, ele ofereceu uma Merc 500SL novinha em troca da música, que custava 96 mil euros. 

Foi ...Baby One More Time que convenceu Spears a ser uma estrela pop. Ela antes se via cantando "músicas no estilo da Sheryl Crow, só que mais jovem," enquanto Larry Rudolph, um advogado de entretenimento amigo da mãe de Spears, Lynne, queria que ela cantasse músicas originalmente oferecidas para Toni Braxton. Foram essas gravações que fizeram com que ela conseguisse o contrato com a Jive, após ser rejeitada pela Mercury e a Epic. Gravações essas que incluiam Spears fazendo um cover da versão de Whitney Houston para ''I Will Always Love You''. Como o material mais voltado para o R&B não estava dando certo e com uma clausula no contrato que permitia que a Jive cancelasse o contrato depois de 90 dias se eles sentissem que não havia futuro para um álbum promissor, o A&R Steve Lunt falou com Martin, que já havia conseguido músicas de sucesso para uma banda da Jive, os Backstreet Boys. Uma reunião foi agendada com Spears em Nova Iorque. "Eu era muito jovem na época, então eu estava nervosa," ela diz. "mas ele foi muito legal e me deixou super à vontade." Para Martin, a música tinha finalmente achado um lar.

Maxed out: Spears and Martin, 2017.

Saindo de Nova Iorque, Spears viajou para os estúdios Cheiron, de Martin, localizados na Suécia. Lá, ela começou a gravação. "Me lembro de ficar maravilhada com Estocolmo," Spears diz. Fiquei lá por tipo, dez dias, mas estávamos tão ocupados no estúdio que eu não tive tempo de sair e explorar a cidade naquela primeira viagem." O co-produtor da música, Rami Yacoub, lembra de Spears como "muito tímida e super doce - quero dizer, ela era uma criança e não tinhamos ideia que havia uma besta em forma de artista por trás daqueles olhos inocentes." As sessões de gravação eram intensas, com quatro dos cinco singles do álbum gravados naquele período de tempo. Em 2001, Martin se referiu ao som produzido em Cheiron como "direto, efetivo... não nós amostramos," palavras reiteradas por Yacoub. "Uma música que soa simples não é simples de fazer. É tudo sobre o bom gosto e ter certeza de que você não colocou mais do que a música precisa."

Para Spears, trabalhar com perfeccionistas combinou com ela. "Respeito muito isso quando trabalho com ele," ela diz. "Acho que Max é um gênio. AS peças se encaixaram e simplesmente parecia certo. Na minha opinião, Max é o melhor compositor de todos os tempos."

Outra pessoa que testemunhou em primeira mão o esforço aqui estudado foi Nana Hedin, uma backing vocal que havia trabalhado com Denniz Pop em músicas para Dr Alban, de onde saiu o hit It's My Life, usado em um comercial de Tampax no UK. Pop recomendou Hedin para Martin, que a trouxe para o projeto em ...Baby One More Time. "Lembro de pensar que a música era para adolescentes, mas que a produção era cheia de uma atitude meio madura e eu gostei muito," ela diz. "Estava tão impressionada em como um cara como o Max podia escrever letras que falavam com o coração e o pensamento dos adolescentes." Geralmente Hedin grava seus vocais antes mesmo do artista gravar os seus, mas com ...Baby One More Time os vocais de Spears já estavam gravados quando ela chegou. "Tentei soar egxatamente como ela," ela ri. "Foi difícil, mas muito divertido. Sou como um papagaio em muitas maneiras. Tento pegar a mesma vibe e pronúncia do artista. Em uma harmonia, cada take é diferente; Canto de forma aguda, depois um belting poderoso e na próxima um sussurro... às vezes até prendo o nariz para um som mais nasal."

Com os vocais da Britney gravados em Março e a música finalizada pouco depois ("Demorou umas duas ou três semanas," diz Yacoub), Spears iniciou uma turnê de verão, indo até 26 shoppings. Ciente que tinham um hit potencial em mãos, Jive mandou representantes para se encontrar com diretores de programação influentes nas rádios dos EUA, logo antes do lançamento da música em Outubro. "O cara da gravadora trouxe um vídeo da Britney ensaiando a coreografia da música," relembra Clarke Ingram, o então gerente de operações e diretor de programação do Top 40 de Nova Iorque da rádio WPXY. "Surtiu o efeito desejado, que era me mostrar que Britney tinha star quality, além de ter um provável hit em mãos. Fomos almoçar depois da reunião e eu me comprometi em adicionar a música na época." Na verdade, Ingram tem quase certeza que foi a primeira pessoa a tocar a música na rádio dos EUA. "Nenhuma outra rádio poderia ter ouvido mais cedo, e não sei de nenhuma rádio que tocou antes de nós." Para Ingram, ...Baby One More Time representa o cálice sagrado: uma música que as rádios pop podiam ter para si. "Passamos por um ciclo de música alternativa no começo até o meio dos anos 90, depois um ciclo R&B depois disso," ele explica. "Britney foi uma das primeiras artistas grandes do ciclo pop que começou no final dos anos 90 e continuou no começo dos anos 2000. A música foi certeira entre o público do Top 40, e isso foi provado pelo seu sucesso dentro e fora do ar."

A música vendeu 500 mil cópias no primeiro dia de lançamento nos Estados Unidos, eventualmente chegando até o No. 1 em todos os países em que charteou, e foi a música mais vendida de 1999 no Reino Unido com 1.4 milhões de cópias. Uma megastar havia sido criada quase da noite pro dia. "Não acho que entendíamos o que havíamos feito," Martin disse em 2008 durante uma entrevista para um documentário de uma rádio sueca. "Lembro de estar sentado no estúdio quando eles ligaram para me avisar que a música tinha chegado no topo das paradas dos Estados Unidos... Tinha tanta coisa na minha cabeça que nem consegui entender o significado por trás disso." Ele se esqueceu de dizer a Yacoub. "Max entrou no estúdio um dia enquanto eu estava trabalhando e disse: "Ei cara, a gente tem a música No. 1 da América," ele lembra. "Perguntei a ele quando tinha sido isso e ele disse: 'Três semanas atrás.' Não focamos muito nos charts, continuamos trabalhando." Até as comemorações foram silenciosas. "Era uma terça, e acredite: Um jantar cedo, um cigarro e indo pra cama às 11 da noite porque tínhamos que trabalhar no outro dia."

Uma música icônica precisava de um clipe icônico. Infelizmente, o diretor Nigel Dick tinha um conceito que foi tido como idiota por Spears. "Escrevi um roteiro que era péssimo, então a gravadora me colocou no telefone com a Britney, que me disse que queria fazer um clipe onde ela estava presa em uma sala de aula pensando sobre garotos. Partimos daí," Dick escreve na sessão de perguntas do seu website. Ele também afirma que o uniforme escolar, incrementado com as xuxinhas e a barriga de fora, foi ideia de Spears também. O que parece ter relativamente causado um furduncio em uma era de pop chiclete que transmitia os shows populares da MTV, como o TRL, diretamente nos lares familiares. 

(...) Como Spears se sente sobre a música quase 20 anos depois? "Nossa, passou rápido. Foi uma época tão louca e divertida, meio difícil de lembrar."

 

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Muito legal o artigo, BOMT é inegavelmente uma das músicas mais emblemáticas da Britney. Não só pelo impacto na indústria e na carreira dela, mas todo o processo de produção do debut é muito interessante, não é a toa que a Britney já estreou fazendo tanto sucesso. 

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6 minutos atrás, controversy disse:

Muito legal o artigo, BOMT é inegavelmente uma das músicas mais emblemáticas da Britney. Não só pelo impacto na indústria e na carreira dela, mas todo o processo de produção do debut é muito interessante, não é a toa que a Britney já estreou fazendo tanto sucesso. 

Fiquei besta com as 500 mil cópias no dia de estreia da música no US. Destinada a ser uma gigante mesmo… 

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48 minutos atrás, Eu sei que sou gostosa disse:

Já pensou se ela não tivesse trabalhado com o Max Martin? 

Se lançado como uma Toni Braxton, deep Voice...será que ela seria hit? 

Acho que ela não faria tanto sucesso, no pop ela se destacou bem mais. Mas ela merecia a chance de mostrar esse lado também...

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